Segurança em Cabine Primária: Quem Pode Entrar e Quais os Procedimentos da NR-10

Segurança em Cabine Primária: Quem Pode Entrar e Quais os Procedimentos da NR-10

A segurança em cabine primária não é um detalhe operacional. Trata-se de um conjunto de práticas, documentos e controles que preservam vidas e evitam paradas caras. 

Em ambientes de média tensão, qualquer descuido pode levar a arco elétrico, choque e queimaduras graves. 

A NR-10 determina quem está apto a acessar essas áreas, quais proteções usar e como executar manobras com rigor técnico, e a NBR 14039 endossa a aplicação da NR10 em cabines blindadas, cabines em alvenaria, áreas energizadas e subestações de entrada.

O que é cabine primária e por que o risco é elevado

Cabine primária é o conjunto de equipamentos que recebe a energia em tensão superior a 1 kV, realiza medição, proteção e transformação para níveis adequados ao consumidor. 

Em razão das correntes e tensões envolvidas, a integridade do arranjo físico, das proteções e dos procedimentos de trabalho precisa ser impecável.

Entre os perigos mais comuns estão o arco elétrico, queimaduras, quedas e efeitos de campos eletromagnéticos. 

O arco libera energia térmica e pressão em milissegundos, o que explica a exigência de vestimentas e barreiras adequadas.

Segurança em Cabine Primária: Quem Pode Entrar e Quais os Procedimentos da NR-10

A NR-10 distingue quatro condições do trabalhador e deixa claro quem pode acessar a cabine para intervir:

  • Qualificado: concluiu curso específico na área elétrica reconhecido pelo sistema oficial de ensino.

  • Habilitado: além de qualificado, possui registro no conselho de classe competente.

  • Capacitado: recebe capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional habilitado e autorizado, trabalhando sob sua responsabilidade.

  • Autorizado: qualificado ou capacitado, e profissionais habilitados, com anuência formal da empresa.

A empresa deve manter um sistema de identificação que permita saber, a qualquer tempo, a abrangência da autorização de cada trabalhador, e registrar essa condição no prontuário do empregado. 

A autorização depende de treinamento previsto no Anexo III da NR-10 e reciclagem bienal ou quando houver mudanças relevantes.

Documentos e gestão que sustentam o acesso

Instalações com carga instalada superior a 75 kW devem manter o Prontuário de Instalações Elétricas com procedimentos, especificação de EPCs/EPIs, comprovação de qualificação e autorização, além de esquemas e relatórios técnicos. 

Esse prontuário precisa estar atualizado e disponível aos envolvidos.

Riscos envolvidos: arco elétrico e choque em alta tensão

O arco elétrico pode ocorrer durante manobras, defeitos de isolamento ou falhas de enclausuramento. O choque decorre de contato direto ou indireto, defeitos de aterramento e lacunas de intertravamento. 

Por isso, a norma prioriza medidas coletivas como desenergização, barreiras, obstáculos, sinalização e impedimento de reenergização antes de recorrer a EPI.

EPIs e EPCs: o que não pode faltar

A NR-10 estabelece que EPC vem antes de EPI. Quando a proteção coletiva for inviável ou insuficiente, aplicam-se EPIs específicos definidos pela análise de risco da tarefa. 

Em cabines primárias, são típicos:
EPCs: enclausuramento de partes vivas, barreiras e obstáculos, intertravamentos, bloqueio e impedimento de reenergização, sinalização, seccionamento automático, aterramento funcional e aterramento temporário durante as intervenções.

EPIs: vestimentas resistentes a chamas, luvas isolantes apropriadas à classe de tensão, proteção facial para arco, capacete com viseira, calçado isolante e balaclava, conforme avaliação de energia incidente e requisitos da NR-6.

Nota prática: a lista exata de EPI depende do estudo de energia incidente e dos métodos de trabalho definidos no procedimento. O inventário mínimo deve constar no Prontuário de Instalações Elétricas.

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Passo a passo seguro para manobras e manutenção

1) Planejamento e Permissão de Trabalho

  • Elaborar procedimento específico, padronizado e assinado por profissional habilitado.

  • Emitir ordem de serviço com tipo, data, local e referências aos procedimentos.

  • Realizar avaliação prévia com a equipe, definir papéis e checar comunicação.

2) Desenergização com sequência obrigatória

Quando a tarefa exigir instalação desenergizada, seguir a sequência:

  1. Seccionamento;

  2. Impedimento de reenergização (bloqueio/etiquetagem);

  3. Constatação da ausência de tensão;

  4. Aterramento temporário com equipotencialização dos condutores;

  5. Proteção dos elementos energizados remanescentes na zona controlada;

  6. Sinalização do impedimento de reenergização.

A reenergização só ocorre após: retirada de ferramentas, evacuação da zona controlada por quem não participa da manobra, remoção de aterramentos e proteções adicionais, retirada da sinalização e religação controlada.

3) Trabalho energizado ou em proximidade

Segurança em Cabine Primária: Quem Pode Entrar e Quais os Procedimentos da NR-10

Se o ingresso na zona controlada for inevitável, as distâncias do Anexo II devem ser respeitadas, com método de trabalho, equipe treinada, comunicação permanente e teste/período de ensaio dos equipamentos isolantes. 

Em alta tensão, a comunicação deve ser mantida durante todo o serviço.

4) Encerramento e registro

Encerrar com inspeção final, liberação do sistema, registro no prontuário e, quando aplicável, atualização de lições aprendidas para o procedimento.

A importância da sinalização de segurança

A sinalização padrão deve identificar circuitos, travamentos e bloqueios, restrições de acesso, delimitações de áreas, vias de circulação, impedimento de energização e equipamentos impedidos. 

Placas visíveis e barreiras físicas evitam acesso de não autorizados e reduzem erros de operação.

Quem não deve entrar

Pessoas sem qualificação, sem autorização formal da empresa ou sem treinamento vigente não podem intervir. 

Atividades indiretas, ainda que na vizinhança, exigem instrução formal para identificação de riscos e adoção de precauções. 

Em caso de dúvidas, o acesso deve ser bloqueado até a chegada de profissional habilitado.

Boas práticas que elevam o padrão de segurança

Segurança em Cabine Primária: Quem Pode Entrar e Quais os Procedimentos da NR-10

  • Prontuário vivo: documentos atualizados, inspeções programadas e registros de testes de EPIs/EPCs.

  • Treinamento com reciclagem: atualização bienal, após afastamentos ou mudanças relevantes.

  • Auditorias internas: verificação de procedimentos, enclausuramentos, intertravamentos e sinalização.

  • Integração com NBR 14039: requisitos de projeto, execução e manutenção em média tensão reforçam o nível de segurança e a disponibilidade da instalação.

Conclusão

Segurança em cabine primária de média tensão nasce de projeto correto, equipe autorizada e método de trabalho testado. 

Uma política consistente de EPCs, EPIs e sinalização reduz drasticamente a probabilidade de arco elétrico e choque. 

Se a sua empresa precisa revisar rotinas de segurança em cabine primária, organize um diagnóstico técnico, atualize o prontuário e treine a equipe antes da próxima manobra.

A segurança é um dos aspectos mais importantes de uma subestação de entrada. Saiba mais sobre sua estrutura em nosso guia sobre o que é Cabine Primária.

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